<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Blue Velvet</title>
	<atom:link href="http://bluevelvet.janelaurbana.com/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://bluevelvet.janelaurbana.com</link>
	<description>Elsa Garcia</description>
	<lastBuildDate>Fri, 06 Jan 2012 15:06:02 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.3.2</generator>
		<item>
		<title>Rita Barros: Chelsea Hotel O Excêntrico Mora Ao Lado</title>
		<link>http://bluevelvet.janelaurbana.com/2012/01/06/rita-barros-chelsea-hotel-o-excentrico-mora-ao-lado/</link>
		<comments>http://bluevelvet.janelaurbana.com/2012/01/06/rita-barros-chelsea-hotel-o-excentrico-mora-ao-lado/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 06 Jan 2012 15:06:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elsa Garcia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Chelsea Hotel]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://bluevelvet.janelaurbana.com/?p=265</guid>
		<description><![CDATA[ 15 Anos: Chelsea Hotel transformou-se num livro de culto. Por este mítico hotel já passou um vasto número de personalidades, escritores, músicos, actores, artistas. Foi através da vivência da fotógrafa Rita Barros, com vizinhos excêntricos, que resultou este manancial de imagens de pessoas sui generis, camas vermelhas, paredes azuis, quadros pop, esculturas de pano, festas [...]<p class="extra"><a href="http://jarederickson.com/freebies/" title="Jared Erickson" >A minimal wordpress theme by Jared Erickson</a></p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em> 15 Anos: Chelsea Hotel</em> transformou-se num livro de culto. Por este mítico hotel já passou um vasto número de personalidades, escritores, músicos, actores, artistas. Foi através da vivência da fotógrafa Rita Barros, com vizinhos excêntricos, que resultou este manancial de imagens de pessoas sui generis, camas vermelhas, paredes azuis, quadros pop, esculturas de pano, festas loucas. Actualmente a fotógrafa apresenta-nos A Presença da Ausência. Fotografias que retratam o banal, os objectos do quotidiano que transparecem toda uma história que lhes está associada. Ambos os projectos são narrativas que se passam no mesmo local, o Chelsea Hotel, mas desta vez a fotógrafa revela-nos a intimidade do seu apartamento através dos objectos com os quais convive diariamente.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-269" src="http://bluevelvet.janelaurbana.com/files/2012/01/013.jpg" alt="" width="550" height="707" /></p>
<p><strong>O que é que a atraiu em fotografar objectos do quotidiano?</strong></p>
<p>É mais uma vez uma ligação ao hotel que é o meu apartamento, o meu espaço. É um apartamento em que as paredes têm uma memória muito forte. Eu estou a olhar para aquela chávena de café e ela tem uma história. Passa quase por um auto-retrato. São momentos interiores em minha casa com um forte lado intimista. Por exemplo, quando se faz uma fotografia de publicidade tira-se toda a memória, esta não é importante. Estas fotografias são exactamente o contrário, é o encontrar a memória de cada objecto que tem um passado e uma história.</p>
<p><strong>Nestas imagens as cores fortes e garridas são uma presença dominante. O que é que a apaixona na cor?</strong></p>
<p>Eu acho que a cor facilmente transmite sentimentos. O amerelo é uma cor quente ao passo que o azul é uma cor fria, é toda uma série de emoções que podem transparecer.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-274" src="http://bluevelvet.janelaurbana.com/files/2012/01/capalivroshadow3.jpg" alt="" width="331" height="407" /></p>
<p><strong>O seu livro <em>15 Anos: Chelsea Hotel</em> acabou por se tornar num livro de culto.</strong></p>
<p>Quando iniciei este projecto não estava à espera de tanto sucesso. Mas de facto existem vários factores que se tornaram marcantes e um deles é o facto de não existirem livros sobre este mítico hotel. Por outro lado marcou uma transição porque eu fotografei uma geração muito importante e o livro representa-a, uma geração que hoje em dia já está extinta. Nesses 15 anos houve uma série de personagens que foram importantes a nível da contra-cultura americana e que já desapareceram como Virgil Thompson, Gregory Corso, entre outros. Digamos que o livro marca uma viragem.</p>
<p><strong>Qual a sensação de estar no quarto onde Arthur C.Clark escreveu 2001 Odisseia no Espaço?</strong></p>
<p>(risos) Não sei, nunca pensei muito nisso, mas é óbvio que há sempre a sensação de estar num espaço onde se passou qualquer coisa de extraordinário. Há algo que fica, mas é mais no inconsciente. No entanto, há uma situação mais insólita em toda esta história, é que Arthur C. Clark antes de ir para o Chelsea viveu num hotel no Sri Lanka, e antes de eu vir para o Chelsea fiquei nesse mesmo hotel e no mesmo quarto. Aí já há qualquer coisa de especial. Há uma série de coincidências.</p>
<p><strong>Como é que define o ambiente do hotel?</strong></p>
<p>É um ambiente um bocadinho familiar, apesar de haver muita privacidade. Entretanto há uns que aparecem e dizem «olha, vens à festa de hoje à noite», e por aí fora. As pessoas são muito criativas e há uma espécie de interactividade e ajuda entre as várias artes.</p>
<p><strong>Encenava as fotografias de alguma forma?</strong></p>
<p>Não, geralmente o que eu pedia às pessoas era para estarem à vontade, com a roupa e maquilhagem que quisessem. Escolhia apenas o sítio e o ângulo. Não encenei nada, o que está é o que é, e é isso que eu gosto, é que de facto as pessoas são assim. Todas elas têm a ver com o seu quarto e há uma coerência muito grande na sua criatividade.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-276" src="http://bluevelvet.janelaurbana.com/files/2012/01/ritabarros2.jpg" alt="" width="550" height="783" /></p>
<p><strong>Mais uma vez um trabalho intimista&#8230;</strong></p>
<p>Sim. Há uma foto em que Larry Rivers e Arnold Weinstein estão a escrever o livro e uma outra com eles a fazerem a leitura do mesmo depois de pronto. Isso demonstra o espaço de tempo que passou. É esse lado mais intimista que eu gosto, de conhecer as pessoas, de estar com elas. Também fotografei o compositor americano Virgil Thompson que já morreu&#8230; E esse lado passa a ser histórico, as pessoas já não existem, mas houve um momento em que estiveram lá. Acabou por apanhar os anos 80, uma altura muito louca e os anos 90 em que tudo está diferente e muito mais caro. Sem querer fazer história, acabei por fazê-la. Acabei por fazer o meu projecto pessoal sem me ter apercebido disso.</p>
<p><strong>Era mesmo essa a sua ideia, fotografar as pessoas no seu meio. Houve alguém que se recusasse a fazê-lo?</strong></p>
<p>Sim, algumas pessoas, incluindo a Patti Smith, pedi-lhe se podia fotografá-la e ela disse que não. Podia tê-la fotografado sem que ela se apercebesse, mas isso não me interessava e não o fiz. Para este projecto era a cooperação que me interessava.</p>
<p><strong>Todos os quartos têm uma decoração pessoal, e o seu?</strong></p>
<p>O meu quarto passou por vários períodos. O prateado, em que até o telefone era prateado depois passou à fase vermelha, em que tinha pedaços de parede pintados de vermelho e várias peças na mesma cor, o azul caraíba. Agora tem uma mistura dos vários estilos e mantive o telefone prateado.</p>
<p><strong>Hoje em dia acha que o Chelsea continua a ser o local de culto underground que sempre foi?</strong></p>
<p>Acho que não, Nova Iorque está muito mudada porque é tudo muito caro, e não é o dinheiro que faz funcionar o underground. Mas o que eu gosto no hotel é o lado de viver lá como se fosse uma cidadezinha. Há o lado da privacidade e o lado da família enorme, é o “pronto, cheguei a casa”, que é muito simpático.</p>
<p><strong>O seu projecto <em>Um Ano Depois</em> simbolizou o início de uma nova era. O inaceitável momento da queda das torres gémeas. Foi a sua forma de lidar com toda a situação?</strong></p>
<p>Sim. É outra narrativa. Eu estava lá e a minha vivência foi muito marcante. O projecto começa com a fotografia da vista da minha janela para as torres com algum fumo. Depois saí de casa e fotografei o desmoronar da torre sul. Quando cheguei a casa as torres já não existiam e fotografei a cidade pós-onze de Setembro. As pessoas entraram em pânico porque viviam em Manhattan, e começaram a pensar que para sair dali teria que ser através de uma ponte e acabaram por começar a mudar-se. Por outro lado houve um momento muito bonito de entre-ajuda e esse momento foi fantástico. Como a eleição de Obama. Foi absolutamente mágico. Havia muita coisa em jogo, as pessoas já estavam saturadas e foi um pouco o explodir dessa tensão. É o constatar que a mudança é possível. Houve um momento de união total. O 11 de Setembro foi a viragem do séc XXI para outra coisa e a eleição de Obama é uma outra viragem para outra coisa.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://bluevelvet.janelaurbana.com/2012/01/06/rita-barros-chelsea-hotel-o-excentrico-mora-ao-lado/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Inaugurações no Transboavista</title>
		<link>http://bluevelvet.janelaurbana.com/2011/11/25/inauguracoes-no-transboavista/</link>
		<comments>http://bluevelvet.janelaurbana.com/2011/11/25/inauguracoes-no-transboavista/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 25 Nov 2011 14:22:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elsa Garcia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Melting Pop]]></category>
		<category><![CDATA[plataforma revólver]]></category>
		<category><![CDATA[transboavista]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://bluevelvet.janelaurbana.com/?p=243</guid>
		<description><![CDATA[Foram ontem as fabulosas inaugurações do Transboavista. Uma mão cheia de exposições que valem cada segundo de atenção. Bom ambiente, boa arte, num evento que alimentou o espírito! URBSCAPES: Espaços de hibridização Artistas: Bleda y Rosa (Prémio Nacional de Fotografia de Espanha), Gerardo Custance, Rafael Liaño, Anna Malagrida e Mathieu Pernot, Ángel Marcos, Mireya Masó, [...]<p class="extra"><a href="http://jarederickson.com/freebies/" title="Jared Erickson" >A minimal wordpress theme by Jared Erickson</a></p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Foram ontem as fabulosas inaugurações do Transboavista. Uma mão cheia de exposições que valem cada segundo de atenção. Bom ambiente, boa arte, num evento que alimentou o espírito!</p>
<p><strong>URBSCAPES: Espaços de hibridização</strong></p>
<p>Artistas: Bleda y Rosa (Prémio Nacional de Fotografia de Espanha), Gerardo Custance, Rafael Liaño, Anna Malagrida e Mathieu Pernot, Ángel Marcos, Mireya Masó, José María Mellado, Eduardo Nave, Jesús Rivera, Adrian Tyler e Jorge Yeregui. <strong>Curadoria:</strong> Alicia Ventura</p>
<p><strong>Subtle Construction</strong></p>
<p>Artistas: Carlos Bunga, Yukihiro Taguchi, Cristian Rusu, Sancho Silva, Sinta Werner, Hironari Kubota e Matias Machado <strong>Curadoria:</strong> Marta Jecú</p>
<p><strong>*PANÓPTICO* </strong>*Finalistas da FBAUL*</p>
<p>Artistas: Artistas: Ariel Pinheiro, Patrícia Guimarães, Ana Sofia Martins,Miguel Faro, Ana Viotti, Sibila Lind, Tiago Gonçalves, Carlos Amaral, Carolina Ferreira, Catarina Ruas, Darsy Fernandes, Nikita Novitsky, Inês Ferreira, Sofia Caldeira, Carolina Soares e Maja-Escher <strong>Curadoria:</strong> Pedro Cabral Santo</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-244" src="http://bluevelvet.janelaurbana.com/files/2011/11/SDC13788.jpg" alt="" width="550" height="978" /></p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-245" src="http://bluevelvet.janelaurbana.com/files/2011/11/SDC13781.jpg" alt="" width="550" height="978" /></p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-256" src="http://bluevelvet.janelaurbana.com/files/2011/11/f.jpg" alt="" width="550" height="978" /></p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-257" src="http://bluevelvet.janelaurbana.com/files/2011/11/SDC13791.jpg" alt="" width="550" height="978" /></p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-246" src="http://bluevelvet.janelaurbana.com/files/2011/11/SDC13742.jpg" alt="" width="550" height="309" /></p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-247" src="http://bluevelvet.janelaurbana.com/files/2011/11/SDC13746.jpg" alt="" width="550" height="309" /></p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-248" src="http://bluevelvet.janelaurbana.com/files/2011/11/SDC13749.jpg" alt="" width="550" height="978" /></p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-249" src="http://bluevelvet.janelaurbana.com/files/2011/11/SDC13748.jpg" alt="" width="550" height="309" /></p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-250" src="http://bluevelvet.janelaurbana.com/files/2011/11/SDC13767.jpg" alt="" width="550" height="309" /></p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-251" src="http://bluevelvet.janelaurbana.com/files/2011/11/SDC13772.jpg" alt="" width="550" height="309" /></p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-252" src="http://bluevelvet.janelaurbana.com/files/2011/11/SDC13773.jpg" alt="" width="550" height="309" /></p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-253" src="http://bluevelvet.janelaurbana.com/files/2011/11/SDC13776.jpg" alt="" width="550" height="309" /></p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-258" src="http://bluevelvet.janelaurbana.com/files/2011/11/SDC13794.jpg" alt="" width="550" height="309" /></p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-259" src="http://bluevelvet.janelaurbana.com/files/2011/11/SDC13797.jpg" alt="" width="550" height="309" /></p>
<p style="text-align: left">Rua da Boavista 84 | 1200 &#8211; 068 Lisboa<br />
T +351 213 433 259 | +351 961 106 590<br />
www.artecapital.net/plataforma.php<br />
Segunda a Sábado das 14:00 às 19:30</p>
<p style="text-align: left">Até 14 de Janeiro</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://bluevelvet.janelaurbana.com/2011/11/25/inauguracoes-no-transboavista/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Spock</title>
		<link>http://bluevelvet.janelaurbana.com/2011/11/22/spock/</link>
		<comments>http://bluevelvet.janelaurbana.com/2011/11/22/spock/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 22 Nov 2011 18:59:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elsa Garcia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Melting Pop]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://bluevelvet.janelaurbana.com/?p=236</guid>
		<description><![CDATA[<p class="extra"><a href="http://jarederickson.com/freebies/" title="Jared Erickson" >A minimal wordpress theme by Jared Erickson</a></p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-238" style="border-style: initial;border-color: initial" src="http://bluevelvet.janelaurbana.com/files/2011/11/1.31.jpg" alt="" width="550" height="309" /></p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-239" src="http://bluevelvet.janelaurbana.com/files/2011/11/1.42.jpg" alt="" width="550" height="978" /></p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-240" src="http://bluevelvet.janelaurbana.com/files/2011/11/1.12.jpg" alt="" width="550" height="978" /></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://bluevelvet.janelaurbana.com/2011/11/22/spock/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Eduardo Nery &#8211; Sabotar o Real</title>
		<link>http://bluevelvet.janelaurbana.com/2011/11/17/eduardo-nery-sabotar-o-real/</link>
		<comments>http://bluevelvet.janelaurbana.com/2011/11/17/eduardo-nery-sabotar-o-real/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 17 Nov 2011 12:48:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elsa Garcia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[eduardo nery]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://bluevelvet.janelaurbana.com/?p=214</guid>
		<description><![CDATA[Desenvolvendo uma arte que vive de opostos, Eduardo Nery é o artista multi-disciplinar por excelência. Estabelecendo relações plásticas e simbólicas, na sua obra são recorrentes a vida e a morte, tal como o consiente e o inconsciente, o racional e o irracional, a ordem e o caos. Nela estão presentes o lado irracional do surrealismo [...]<p class="extra"><a href="http://jarederickson.com/freebies/" title="Jared Erickson" >A minimal wordpress theme by Jared Erickson</a></p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Desenvolvendo uma arte que vive de opostos, Eduardo Nery é o artista multi-disciplinar por excelência. Estabelecendo relações plásticas e simbólicas, na sua obra são recorrentes a vida e a morte, tal como o consiente e o inconsciente, o racional e o irracional, a ordem e o caos. Nela estão presentes o lado irracional do surrealismo e dadaísmo, o absurdo e a incongruência. Uma obra caracterizada pela ironia, construção, destruição e renascimento muito evidentes na sua fase de anti-pintura, numa altura em que se saturou da mesma, enveredando por um processo de destruição da pintura. Na sua fase da colagem volta a questioná-la, fazendo uma nova abordagem à pintura em que desenvolve uma alteração profunda de obras pertencentes a vários artistas, pois grande parte do seu trabalho reside num questionamento e numa reflexão constante. No seu processo de criação, Nery faz uma investigação gestáltica, científica e rigorosa, onde a cor desempenha um papel fundamental bem como todo o jogo que faz entre espaço e luz bem presentes na sua estética.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-216" style="border-style: initial;border-color: initial" src="http://bluevelvet.janelaurbana.com/files/2011/11/001.jpg" alt="" width="550" height="470" /></p>
<p>O grande público conhece Eduardo Nery mais pela op art e pelo trabalho de arte pública que desenvolve desde o início da sua carreira artística. Um dos exemplos do seu trabalho nesta área é a intervenção em azulejo que desenvolveu para a estação de metro do Campo Grande. Nesta desmultiplicou a figura humana em intrincados puzzles que acabaram por se tornar em imagens híbridas.</p>
<p><strong>A sua obra posiciona-se num diálogo entre a forma e a destruição em que assistimos frequentemente à construção e desconstrução de elementos. Existe nesta sua característica um desejo íntimo de ordenar o caos?</strong></p>
<p>Eu circulo sempre entre a ordem e o caos. Considero que ambos têm que existir e o que eu procuro é fazer um ponto de encontro entre ambos. No caso da minha segunda fase de anti-pintura tratou-se de um processo destruidor, embora exista o factor regeneração a partir das cinzas. Há algo que liga tudo, o facto de eu ter consciência que o caos existe na natureza mas existe igualmente um sentido de ordem, e o ideal é encontrar pontos de equilíbrio.</p>
<p><strong>Considero o Eduardo um polvo das artes porque vai abrangendo várias correntes artísticas e várias formas de expressão tendo um tentáculo em cada área. Existe alguma das correntes em que se exprime plasticamente que goste de forma especial?</strong></p>
<p>(risos) Um polvo? Nunca me tinham caracterizado dessa forma, adoro o nome. Não existe nenhuma que me dê um prazer especial e sim essa possibilidade de poder variar. Detestaria fazer sempre o mesmo. Essa minha constante procura revela uma enorme insatisfação. Para mim nunca nada está resolvido, necessito sempre de ir mais além.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-215" style="border-style: initial;border-color: initial" src="http://bluevelvet.janelaurbana.com/files/2011/11/006.jpg" alt="" width="550" height="830" /></p>
<p><strong>O seu trabalho no campo da op arte é frequentem</strong><strong>ente comparado ao de Vasarely. Como se sente perante este facto?</strong></p>
<p>Angustia-me não só o facto de estabelecerem comparações constantes entre o meu trabalho e o de Vasarely como também o facto de apagarem nomes importantes no campo da op art como são os casos de Jesús Rafael Soto, Bridget Riley, Carlos Cruz-Diez, entre outros. Descobri a op art através de duas revistas internacionais que assinava na altura, apercebendo-me desta forma que já estava muito próximo daquela linguagem através da tapeçaria. Em 1960 fui para França trabalhar com Jean Lurçat, renovador da tapeçaria francesa do século XX e foi com ele que aprendi a técnica dos degradés. Esta relação dos degradés com a tapeçaria levou-me muito depressa a passar para a op art com cor, sobre a qual não tinha qualquer referência do que estavam a fazer a nível internacional. Sempre fiz muita pesquisa e como tal era perfeitamente natural para mim o meu trabalho com malhas geométricas com ilusionismo óptico tridimensional. Em 1966 eu já tinha várias obras pintadas em guache que iriam servir para fazer tapeçarias, mas o projecto não foi concretizado. Nessa altura, José Augusto França levou os slides dessas obras em degradés para a Galeria Denise René em Paris. Esta era a grande defensora da op art e da arte cinética e era no seu espaço que expunham os grandes nomes da op a nível internacional. A verdade é que os slides foram para lá e nunca mais voltaram e Vasarely apareceu com trabalhos semelhantes aos meus em 1967. Foi assim que tudo se passou e começaram a criticar-me dizendo que eu era um copista de Vasarely. Essas atitudes desmoralizaram-me porque eu tinha a perfeita consciência da autenticidade da minha obra.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-217" src="http://bluevelvet.janelaurbana.com/files/2011/11/013.jpg" alt="" width="550" height="820" /></p>
<p><strong>Com a sua série Sólidos no Espaço joga com a perspectiva elaborando uma sucessão de cubos subvertidos. Estes podem representar o mundo virado ao contrário?</strong></p>
<p>Sim, o que é mais uma das características do meu trabalho. É o meu lado dadaísta. Em termos filosóficos, na altura levantou-me uma questão. Digamos que a perspectiva avança para o futuro e eu fazia exactamente o contrário. Os movimentos eram opostos e dava-se um escorregar no tempo.</p>
<p><strong>Acaba por ser uma forma irónica de ver o mundo&#8230;</strong></p>
<p>Exactamente e a ironia faz parte do meu trabalho, tal qual como o absurdo. A ironia é muitas vezes um desespero. Por vezes para uma pessoa que está num mundo com o qual não concorda é a única forma de se manter vivo perante a realidade que o rodeia.</p>
<p><strong>Considera-se um nostálgico? É por isso que está em permanente criação de novas realidades?</strong></p>
<p>Sim, não fujo a isso e até vou mais longe. Como tenho várias facetas, jogo com o lado racional e com o oposto da espontaneidade. Falaria mesmo de romantismo. As minhas fotografias de 1981 a 85 são curiosamente imagens sobrepostas a um artista que eu gosto particularmente, Friedrich. Na altura era para mim o maior romântico de todos e com quem muito me identifico. Claro que também peguei em Magritte, Chirico e vários outros. Esse voltar ao passado relaciona-se com a minha arte. Como artista contemporâneo, estou sempre a pensar e a reflectir sobre o passado mas a abrir caminhos para o futuro.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-218" src="http://bluevelvet.janelaurbana.com/files/2011/11/016.jpg" alt="" width="550" height="780" /></p>
<p><strong>O uso que faz do ouro na sua arte também se prende com essa nostalgia?</strong></p>
<p>Sim e a primeira vez que o fiz foi na minha fase de anti-pintura em que faço uma utilização específica de molduras. As primeiras têm um lado assumidamente kitsch mas muito cedo fui preso pelas minhas próprias malhas e deixei-me apanhar pelo lado simbólico. O próprio João Pinharanda dissertou num catálogo sobre a minha antecipação do uso do ouro no séc XX. Uso esse que tinha sido rejeitado pelo próprio Kandinsky pelo facto de se querer demarcar dos ícones e de uma certa visão religiosa e política.</p>
<p><strong>Essa fase da anti-pintura é um momento de grande experimentação e de ruptura. O que o levou a iniciá-la?</strong></p>
<p>Na altura questionava muito a pintura. Entre 1967 e 1969 tinha desenvolvido um trabalho de concretismo e de volumes, cubos e formas geométricas. Elaborava um jogo de ilusões do desfazer da forma geométrica em relevo pela cor. Um trabalho que nunca foi reconhecido em Portugal e é assim que surge a minha fase de anti-pintura. As molduras surgem como uma espécie de revolta e o facto de serem douradas estava relacionado com um gosto burguês. A moldura é o único elemento acessório numa pintura, torna-se um adjectivo quando a pintura é o substantivo. Destruí pinturas vazias, utilizei molduras partidas e telas rasgadas. Todas elas assumiam o papel de molduras a destruir a pintura, numa atitude dadaísta e provocatória. Algumas delas simbolizam altares barrocos destruídos.</p>
<p><strong>Vamos passar à sua fase seguinte, a da pintura metafísica. No início dos anos 70 enveredou por um rigor de perspectiva e luminosidade intensa na pintura. Como é que lá chegou?</strong></p>
<p>No final da minha primeira fase de anti-pintura em que fiz a utilização de molduras, abri janelas com as mesmas. As últimas são molduras de onde saem cubos ou pirâmides e aí eu já estava muito próximo da utilização do ouro na minha obra e da importância simbólica do mesmo. Nas obras que que se seguiram transformei formas puras da gometria em elementos arquitectónicos. Dessa série o ícone é a obra Templos no Espaço que está exposta na Brasileira do Chiado, desenhada com uma perpectiva rigorosa a fazer recordar a mitologia greco-romana, a intemporalidade, o espiritual. Tinha encontrado a passagem da geometria pura para as formas arquitectónicas. A pintura metafísica é uma fase muito mental mas muito emocional ao mesmo tempo porque estava a retirar todo o partido da expressão da cor que é muito forte. Os animais que as percorrem representam a vida e a morte, um tema recorrente na minha obra.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-219" src="http://bluevelvet.janelaurbana.com/files/2011/11/020.jpg" alt="" width="550" height="889" /></p>
<p><strong>É como se o animal assumisse uma simbologia dinâmica?</strong></p>
<p>Sim, contra um mundo frio, e asséptico. Já vinha de trás a ausência de tempo e por aí o sentido metafisico uma vez que o tempo não existe, ou talvez exista numa sucessão de cubos ou de templos. Mas é uma sucessão que pode ser virada ao contrário. Existe uma frieza muito mental nessas obras que mais uma vez jogam em contrastes.</p>
<p><strong>Houve posteriormente uma segunda fase da anti-pintura, em 1992. Esta está intimamente ligada com a morte do seu irmão&#8230;</strong></p>
<p>Sim, num plano biográfico foi realmente assim. Foi um momento de grande tensão e predispôs-me a fazer-lhe uma homenagem. Mas também corresponde a um momento de ruptura e de cansaço do que estava a fazer anteriormente. Simboliza um processo de renascimento a partir das cinzas. Queimei pinturas idênticas a algumas que tinha pintado até então marcando um momento de destruição.</p>
<p><strong>O fogo acaba por simbolizar a regeneração?</strong></p>
<p>Sim, num plano simbólico o fogo funciona como regeneração ou ressureição, como a água no baptismo. Dos quatro elementos são os dois que têm esse papel de destruição e regeneração.</p>
<p><strong>Actualmente está a voltar ao uso do ouro. Um dos exemplos foi a sua exposição <em>Cor-Luz</em> na Galeria Giefarte, em que o utiliza como um novo degradé na técnica op.</strong></p>
<p>O ouro representa para mim a descoberta de uma nova teoria da cor. O dourado levou-me a reordenar a minha paleta de cores, porque é um trabalho minucioso juntá-lo com outras cores. O movimento retiniano que eu sempre procurei na pintura, em cima de dourado cria novos problemas e o próprio fundo destabiliza a pintura, factor que me alicia.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-220" src="http://bluevelvet.janelaurbana.com/files/2011/11/009.jpg" alt="" width="550" height="822" /></p>
<p><strong>No caso da colagem sobre fotografia como o fez na série Museu Imaginário da Sociedade de Consumo, tentou desmontar um sistema de cultura. Foi uma forma de colocar a olho nu a forma como vê a sociedade e a forma como esta se vai constantemente adulterando?</strong></p>
<p>O enfoque foi sobre a sociedade de consumo, mas na base estava o Museu Imaginário de Malraux. Era um choque entre a alta cultura e a cultura popular. Foi um pouco de tudo, havia um lado político mas foi acima de tudo uma pesquisa sobre os limites da imagem. Eu vinha da op art, da pintura metafísica. Posteriomente todo o meu trabalho de colagem seguiu para a fotografia. Faço uma pesquisa constante sobre os limites da imagem. É nesse sentido que há também uma parte de destruição, bem como de regeneração.</p>
<p><strong>E o que o moveu a juntar imagens de arte antiga com publicidade?</strong></p>
<p>Precisamente para espicaçar a cultura que eu julgava estar demasiado adormecida. Uma colagem de uma imagem dos media, retirada da publicidade é em primeiro lugar um choque pelo despropósito naquela pintura, pelo anacronismo.</p>
<p><strong>O Eduardo tem um lado muito irrequieto e infantil, fale-me sobre essa sua característica.</strong></p>
<p>Sempre fui assim, embora bom aluno que assimilava o que aprendia, mas em termos de disciplina era uma peste. Sempre usei o sentido de humor na minha arte, que é sempre uma destabilização do dia a dia.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-221" src="http://bluevelvet.janelaurbana.com/files/2011/11/023.jpg" alt="" width="550" height="916" /></p>
<p><strong>As suas fotografias são regra geral dúbias e metamorfoseadas, nas quais sempre habitam dois mundos. São sempre óbvios para si os universos que quer confrontar na imagem?</strong></p>
<p>Sim. Quando eu começo uma fotografia, sei sobretudo como a quero compôr e o que quero atingir com esses dois elementos. Uso uma técnica que descobri nos anos 80 e que não tem qualquer relação com o photoshop, pois estava a milhas de distância desta realidade. A fotografia já vem da colagem e é aliás uma evolução natural de todo um trabalho. A primeira fase da fotografia surge quando estabeleço uma ligação entre esta e a pintura. E quando começo em 1981 a usar essas sobreposições em fotografia eu estou a partir de pormenores ou reproduções de pintura à semelhança do que tinha feito na colagem. Na fotografia eu tenho dois universos, que podem ser opostos. Se por um lado faço a junção de realidades completamente antagónicas, por outro lado as imagens podem ser tão simbióticas que a osmose é perfeita.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>No fundo toda a sua arte se vai encadeando, porque apesar de existirem várias fases todas elas têm uma ligação com a anterior. Embora sejam diametralemente opostas a nível plástico, acabam sempre por se complementar como se compusessem uma história.</strong></p>
<p>Concordo inteiramente e fico feliz por assimilá-la dessa forma. Dou-lhe um exemplo, há pessoas que me conheceram muito novinho, na altura em que fazia obras gestuais, e que não perceberam o porquê de ter passado para a op art. Estamos a falar dos anos 60 em pleno salazarismo, com uma cultura completamente opaca. O porquê de eu ter passado de uma fase para a outra prende-se com o facto de as obras gestuais estarem relacionadas com movimento e o que é a op art senão movimento? As obras gestuais relacionam-se com o movimento do gesto da mão, dos pingos que saltam do acaso. A op é um movimento muito controlado a nível racional, um movimento cinético.</p>
<p><strong>A sua série mais recente de pintura <em>Ritmos de Cor – Jazz</em> pode dizer-se que é ela própria um prolongamento da op art?</strong></p>
<p>Pode e não consigo negá-lo. Essa fase está relacionada com o facto de eu ter retomado as malhas geométricas rigorosas em que as formas são modulares. Na minha fase da op art pura, que eu considero ortodoxa, eu tinha um sentido sistemático. Começava a pintar num canto de um rectângulo e sabia como é que ia terminar no outro canto. Tinha uma percepção de onde iria dar o máximo de contraste e onde as formas se iriam diluir. Neste caso eu começo um quadro sem saber como o vou acabar, é imprevisível.</p>
<p><strong>Sente-se o ritmo do jazz na pintura. Influenciou-o nesta série?</strong></p>
<p>Sem dúvida. Adoro jazz e tenho centenas de cd&#8217;s, já nem sei onde colocá-los. Fiz a série a pensar no jazz e também porque todas as pinturas têm um lado aleatório muito próximo a este género musical. Existe todo um rigor mas também toda uma improvisação. É assim que eu me sinto, perto do Mondrian, na sua fase Boogie Woogie muito ligada ao jazz.</p>
<p><strong>Estabelece uma grande relação entre a pintura e arquitectura, fazendo uma articulação de espaço, ritmo e luz. Nunca lhe passou pela cabeça ser arquitecto?</strong></p>
<p>Sim, passou, como é que adivinhou? Quando entrei para o Liceu, escolhi a alínea de arquitectura na altura em que o sistema era por alíneas. E depois cheguei mesmo a estudar arquitectura, mas acabei por desistir porque a paixão pela pintura começou a ser mais forte.A música também foi uma das minhas influências, eu tenho um sentido de ritmo muito elevado e muito forte que exprimo com todos os meios que tenho. O caso mais evidente é o jazz.</p>
<p><strong>Voltando à fotografia, e à ilusão visual que provoca com a mesma. Por vezes traduzem-se em imagens algo fantasmagóricas. É uma forma de exorcizar os seus medos?</strong></p>
<p>Um dos meus referentes muito frequentes é o contraste entre o racional e o irracional, consciente e inconsciente. Eu jogo nos antípodas. E mesmo quando estou a jogar com as cores quentes misturo-as com as frias em diálogo. Dou a maior atenção ao inconsciente. São os meus fantasmas e angústias. A única foma de travá-los é colocando-os cá fora e é o que eu faço através da arte.</p>
<p><strong>Também na fotografia faz colagem, aplicando uma vez mais este conceito à semelhança do que faz na pintura. Mesmo a sua técnica de sobreposição de dois negativos acaba por ser uma colagem.</strong></p>
<p>Sim, mas a outro nível. Trabalho a osmose e a diluição de duas imagens. Os extremos da imagem mantêm-se intocados e as imagens cruzam-se na zona central e o resultado é extremamente imprevisível.</p>
<p><strong>Na sua última exposição <em>Vida Dupla Casa Arrumada</em> na Ermida de Nª Srª da Conceição, as fotografias procuram exprimir o esvaziamento humano em favor da sua identificação e osmose com o objecto?</strong></p>
<p>Sim. É a minha resposta à obsessão das pessoas com os objectos e à preocupação com o status e com tudo o que isso significa. Acaba por se tornar numa sociedade do ter e não do ser devido ao domínio e controlo que esta exerce sobre nós através dos media e do poder económico. É por essa razão que esta minha exposição reflecte a desumanização em favor dos objectos.</p>
<p><strong>Para si um dos principais papéis da arte é comunicar com os outros, levantar questões, ensinar, tendo um papel didáctico ao obrigar as pessoas a ver e a pensar. Consegue concretizar este seu objectivo?</strong></p>
<p>Nem por isso. A sensação que tenho é de que apesar de o fazer afincadamente, os resultados são fracos. Já dei aulas, e é certo que muitos dos meus alunos, alguns anos depois me recordaram com admiração por eu ter sido um elemento fundamental para eles, sobretudo no tempo do IADE, menos no Ar.Co, em que fui um dos fundadores. Fiz visitas guiadas a museus, tenho alguma obra escrita, entre ela textos sobre a cor de Lisboa e sobre a integração da arte na arquitectura. Tenho também falado bastante em público, em palestras ou simpósios. Essa capacidade de comunicar é importante e sei que tenho deixado algumas marcas, mas sinto que estou em permanentes lutas utópicas em que não consigo interessar as pessoas. Tenho obras em que o lado da intervenção é bastante evidente, como é o caso da colagem e da minha última exposição Vida Dupla Casa Arrumada ou a Metamorfose Homem Animal e em todas elas eu procuro levar um pouco de mim aos outros. A própria op art é o levar os outros a aprender a ver e o tentar rejuvenescer a arte.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-223" src="http://bluevelvet.janelaurbana.com/files/2011/11/005.jpg" alt="" width="550" height="592" /></p>
<p><strong>Quando faz arte pública não sente um certo receio devido ao vandalismo, uma vez que são obras de arte permeáveis à acção de várias pessoas?</strong></p>
<p>Claro que sim, não só do vandalismo como da falta de cultura das pessoas que nos rodeiam. Há um divórcio da arte contemporânea com uma grande maioria da população. Fiz diversas pinturas murais no edifício Franjinhas do arquitecto Nuno Teotónio Pereira, que foram praticamente todas destruídas. Lembro-me que uma vez fui convidado para fazer uma pintura mural num centro comercial em Cascais e o lojista que estava na loja ao lado do mural, certa noite decidiu mandar pintar a parede de branco. Nem era proprietário do centro, mas como tinha uma perfumaria achou que as minhas cores não se relacionavam com os dourados e prateados das embalagens de cosmética. O pior de tudo é a inexistência de leis que defendam os artistas nestas situações. Estou farto de lutar pela não destruição de fachadas de azulejos em Lisboa e pelo país fora. Representam uma riqueza na imagem portuguesa e estão constantemente a ser destruidos. As ruas ficam empobrecidas e não tenho qualquer resultado com esta luta.</p>
<p><strong>É frequentemente conotado com a arte pública. É um factor que lhe causa frustração dadas as várias correntes artísticas que aborda na sua arte?</strong></p>
<p>Sim, sem dúvida. O que me irrita é que as pessoas estão cada vez mais formatadas e arquivam os artistas em gavetas com uma ou duas palavras. O artista pode inclusivé desmultiplicar-se em experiências mas tal não tem valor. No meu caso é a arte pública e a op art e para além destas correntes não existe mais nada&#8230;</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-224" src="http://bluevelvet.janelaurbana.com/files/2011/11/021.jpg" alt="" width="550" height="897" /></p>
<p><strong>Como surge a sua paixão pelas máscaras africanas? Está relacionada com a carga fantástica que as caracteriza?</strong></p>
<p>Devido a essa paixão muitas pessoas me perguntam se tenho raizes africanas e de facto não tenho. Tenho sobretudo uma paixão muito grande por culturas extra europeias e arcaicas, tradicionais, tal qual como tenho por tudo o que está relacionado com o sagrado. Sinto cada vez mais falta desse sagrado à minha volta e sinto-o porque a vida nas sociedades ditas avançadas tornou-se de tal forma fria e desumana que posso mesmo falar de desumanização. Não as considero assustadoras, mas percebo o que diz, estou tão habituado a conviver com elas que não me assustam. A arte africana por um lado é muito racional ao contrário do que se diz e é por isso que Picasso e outros artistas chegaram muito perto dela. Há peças que são francamente expressionistas e outras surrealistas. Outras muito racionais, ou muito geométricas e abstractas na estrutura e no conceito. Há algo que liga tudo isto, a procura de culturas arcaicas, que faz parte dos meus muitos paradoxos. Sou um artista contemporâneo e nunca virei as costas à contemporaneidade em nada do que fiz e ao mesmo tempo tenho a nostalgia desse mundo perdido. Claro que não sou um homem só virado para o passado, no século XX encontro referências extraordinárias como Magritte, Paul Klee, Kandinsky, Mondrian, e poderia citar muito mais. Acredito de facto num real muito mais profundo e muito mais vasto.</p>
<p><strong>Um dos seus projectos é fazer um Museu de Arte Africana, mas tal ainda não foi possível&#8230;</strong></p>
<p>Sim, tenho uma colecção enorme, que ninguém conhece melhor do que eu próprio. Tenho todo o interesse em fazer um museu e já falei com organismos estatais para ver a sua viabilidade, mas ainda não mostraram grande interesse. No entanto não vou desistir da ideia. Vai também ser editado um livro escrito por mim sobre a Estética na Arte Africana, pela Imprensa Nacional. É um tema que me apaixona uma vez que a arte africana está intimamente ligada ao pensamento mágico, à religião e aos aspectos sociais e políticos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://bluevelvet.janelaurbana.com/2011/11/17/eduardo-nery-sabotar-o-real/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Jorge Molder &#8211; No Limiar do Sonho</title>
		<link>http://bluevelvet.janelaurbana.com/2011/11/15/jorge-molder-no-limiar-do-sonho/</link>
		<comments>http://bluevelvet.janelaurbana.com/2011/11/15/jorge-molder-no-limiar-do-sonho/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 15 Nov 2011 11:44:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elsa Garcia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[jorge molder]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://bluevelvet.janelaurbana.com/?p=208</guid>
		<description><![CDATA[Jorge Molder começou a sua carreira como artista na década de 1970, e desde então que tem feito exposições por todo o mundo. As suas enigmáticas e obscuras fotografias despertam os sentidos do observador que nelas se envolvem numa interacção pela descoberta do fenómeno que atrás delas se esconde. Causadoras de um efeito perturbador não [...]<p class="extra"><a href="http://jarederickson.com/freebies/" title="Jared Erickson" >A minimal wordpress theme by Jared Erickson</a></p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Jorge Molder começou a sua carreira como artista na década de 1970, e desde então que tem feito exposições por todo o mundo. As suas enigmáticas e obscuras fotografias despertam os sentidos do observador que nelas se envolvem numa interacção pela descoberta do fenómeno que atrás delas se esconde. Causadoras de um efeito perturbador não só pela escuridão que as envolve como pela duplicidade da personagem que se metamorfoseia em auto-representações.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-209" src="http://bluevelvet.janelaurbana.com/files/2011/11/molder.jpg" alt="" width="550" height="550" /></p>
<p><strong>As suas fotografias transmitem uma certa inquietação, um desassossego imagético. Como é que transmite essas emoções através da lente?</strong></p>
<p>Tem a ver com a questão da suspensão, com um sentido um pouco falsificador de uma ideia de narrativa. Elas parecem estar a contar qualquer coisa mas nesse momento há uma suspensão. Não é um corte de realidade mas uma apresentação do não apresentável. É essa criação de um horizonte aparente que desencadeia essa inquietação.</p>
<p><strong>Cria auto-representações, são figuras ficcionais, mas que não constroem uma narrativa. Gostaria que desmistificasse…</strong></p>
<p>Eu vim ao longo do tempo apercebendo-me que a minha existência não são auto-retratos e sim auto-representações, têm uma validade relativa porque é impossível omitir o tempo e este estabelece-me uma espécie de unidade distendida e que faz com que essas coisas não possam ser tão tidas e contidas. Há um lado de auto-retrato e não de auto-representação que emerge inesperadamente.</p>
<p><strong>São imagens que funcionam como uma caixa de segredos, relicários e que nelas encerram uma grande complexidade.</strong></p>
<p>Eu não penso em preparar algo complexo, esse factor decorre de variadíssimas circunstâncias. É o lado acidental que não é controlado, mas é o que procuro disfarçando o máximo possível.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-210" src="http://bluevelvet.janelaurbana.com/files/2011/11/molder_FP511.jpg" alt="" width="550" height="551" /></p>
<p><strong>No seu trabalho usa o seu corpo construindo várias identidades para o seu eu e para as múltiplas personagens que vai criando. Como é que surgem as ideias para a duplicidade que vai criando?</strong></p>
<p>Muitas vezes aos sonhos que para mim são extremamente importantes e é a eles que vou buscar a maior parte das coisas que faço. Este ano vi o filme “A Origem” e o filme não tem grande interesse, vive de um ecrã muito grande e da nossa infiltração nessa imagem. Quando esta perde tamanho, sobressai a história afectiva que não tem qualquer relevância. Mas a personagem ao longo do filme está sempre a questionar-se em como começa um sonho e nós de facto não o sabemos. Achei interessante o facto de no filme se referir o sonhar a vários níveis que foi o que sempre senti. Como é que uma ideia surge? Tal como um sonho, sempre a meio.</p>
<p><strong>Estava à espera de vencer o Grande Prémio EDP/ Arte 2010? O que representou para si este reconhecimento?</strong></p>
<p>Não, estava completamente longe e asseguro que nunca tinha pensado no assunto. Foi uma surpresa completa. Uma pessoa quando faz coisas fá-las de acordo com a sua vontade e singularidade artística, mas de facto um reconhecimento, afecta-nos sempre, não somos insensíveis perante ele. Toca-nos profundamente e o único perigo existente é quando o artista começa a deixar-se levar pela necessidade de preencher espectativas.</p>
<p><strong>Para além da importância de ser um prémio de carreira, representa um pouco um “statement” pela forma como a fotografia é valorizada enquanto forma de arte.</strong></p>
<p>Eu acho que sim e culmina com algo que vem desde há muito tempo. A partir de certa altura a fotografia começa a imiscuir-se de forma mais consolidada no mundo das outras artes, o que se verifica sobretudo a partir dos anos 60, 70. Não só lá fora como em Portugal, com pessoas que começaram a trabalhar nesse sentido, como são os casos de Helena Almeida, Fernando Calhau, Julião Sarmento. São artistas que utilizavam a fotografia no mesmo plano que utilizavam os outros suportes. Depois também houve pessoas que se preocuparam em divulgar e em trazer a fotografia, penso sobretudo no Fernando Pernes e no Ernesto de Sousa. Não há dúvida que a fotografia foi encontrando o seu espaço e esse espaço também levou a reformular uma coisa curiosa que foi o aparecimento de fotógrafos dos quais eu me sinto próximo e que começaram a fazer fotografias com características diferentes, como é o caso de Craigie Horsfield.</p>
<p><strong>A arte contemporânea está hoje mais valorizada?</strong></p>
<p>Eu acho que é um universo muito vasto e nesse universo temos que descobrir um continente sólido e há muita coisa na arte contemporânea que tem mais a ver com uma deriva das zonas que contornam um continente. Há algumas coisas que são mais sensacionais que outras, mas que não são necessariamente muito decisivas. Quando visitamos museus de arte clássica estão repletos de pessoas, mas a maior parte das exposições de arte contemporânea, têm pouquíssimo público. Fui ver uma exposição de Gerhard Richter e estava sozinho no museu. Acho que é normal, temos tendência para sedimentar o passado.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-211" src="http://bluevelvet.janelaurbana.com/files/2011/11/Molder-.arte_.jpg" alt="" width="550" height="550" /></p>
<p><strong>Que memórias destaca dos tempos em que foi director do Centro de Arte Moderna da Gulbenkian. Sente saudades dessa época?</strong></p>
<p>Sinto, porque gostei imenso de trabalhar com artistas e nalguns casos foram experiências extraordinárias. Sinto saudades por um motivo operacional que reside no facto de me preocupar com a obra de outros artistas ao invés da minha própria obra.</p>
<p><strong>Vai fazer uma grande exposição retrospectiva em breve no Museu da Electricidade?</strong></p>
<p>Não será no Museu da Electricidade, nem será retrospectiva. Estive a falar com o João Pinharanda e há uma certa liberdade do que se pode fazer. Eu gostava que a exposição consistisse em dois terços de uma escolha de alguns momentos do meu trabalho e uma parte forte actual, feita propositadamente. A exposição irá acontecer dentro de dois anos e não sei onde será.</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://bluevelvet.janelaurbana.com/2011/11/15/jorge-molder-no-limiar-do-sonho/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Juliette Lewis &#8211; Born to be Wild</title>
		<link>http://bluevelvet.janelaurbana.com/2011/11/07/juliette-lewis-born-to-be-wild/</link>
		<comments>http://bluevelvet.janelaurbana.com/2011/11/07/juliette-lewis-born-to-be-wild/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 07 Nov 2011 20:33:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elsa Garcia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[juliette Lewis]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://bluevelvet.janelaurbana.com/?p=203</guid>
		<description><![CDATA[«A minha intenção é de que a nossa música sirva como um antídoto para a falta de confiança, apatia e medo que se instalou na sociedade nos dias que correm!» &#8211; Juliette Lewis  Mallory Knox, Adele Corners, Danielle Bowden ou Faith Justin &#8211; a personagem que no filme Strange Days fez-me ficar boquiaberta com a sua [...]<p class="extra"><a href="http://jarederickson.com/freebies/" title="Jared Erickson" >A minimal wordpress theme by Jared Erickson</a></p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>«A minha intenção é de que a nossa música sirva como um antídoto para a falta de confiança, apatia e medo que se instalou na sociedade nos dias que correm!» &#8211; Juliette Lewis</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-204" src="http://bluevelvet.janelaurbana.com/files/2011/11/Juliette_Lewis.jpg" alt="" width="550" height="413" /></p>
<p><strong> </strong>Mallory Knox, Adele Corners, Danielle Bowden ou Faith Justin &#8211; a personagem que no filme <em>Strange Days </em>fez-me ficar boquiaberta com a sua performance musical. Vibrei com as suas capacidades enquanto cantora ao interpretar temas magníficos temas como <em>I Can Hardly Wait</em> de P.J Harvey, movendo-se no palco e rastejando como se ela própria fosse a música. Não, não é nenhuma destas personagens rebeldes, é mesmo Juliette Lewis. A actriz nascida para cantar que em 2003 decidiu formar a banda Juliette and the Licks.</p>
<p>Contorcendo-se a cada batida, deixando o público num estado próximo da hipnose, os espectáculos de Juliette and the Licks são palpitantes e repletos de adrenalina. Juliette Lewis formou a banda com a determinação de revolucionar o estado comercial do rock’n’roll através do uso da energia e da química. Em Outubro de 2004, lançaram o aclamado EP <em>Like a Bolt of Lightning</em> e em Maio de 2005 sai o álbum <em>You’re Speaking my Language</em>. «Para este álbum e para a sua direcção, nós ouvimos várias bandas, desde os Talking Heads e Patti Smith aos Pretenders». As canções dos Licks são uma espécie de rock teatral, uma combinação de rock’n’roll com punk, aliada a uma forte batida, guitarras ritmadas e baixo. Os seus espectáculos ao vivo são de uma intensidade tal, que chegam a fazer lembrar as velhas personagens do rock como MC5 e Iggy Pop and the Stooges, com quem já foram comparados. Ela entra em erupção assim que assume os comandos da sua banda, assemelhando-se a um animal. Ela acentua a sua sexualidade com cada curva do seu corpo, interagindo com a audiência e gritando ao microfone. Uma performance esmagadora e eléctrica de uma menina feroz e cruel. Temas como <em>Get Your Tongue Wet</em>, <em>Hey You, Hey Man</em> e <em>So Amazing</em> deixam qualquer um fora de controlo. Juliette chegou inclusive a participar no quarto álbum dos Prodigy, <em>Always Outnumbered, Never Outgunned</em>. Liam Howlett, líder do grupo, disse que a actriz é «mais punk rock do que muitas bandas que conheço.» Segundo a actriz/cantora referiu no livro <em>Non- Fiction</em>, de Chuck Palahniuk<em> </em>(ed.Random House), «Na minha fase de crescimento, o que mais me influenciava eram todos aqueles musicais como o<em> Fame</em>. Era o meu sonho, se eu pudesse andar numa escola onde só dançasse e cantasse. Eu seria antes de tudo uma cantora. Adorava a ideia de cantar, então escrevi canções com um amigo que era músico.»</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-205" src="http://bluevelvet.janelaurbana.com/files/2011/11/Juliette-Lewis-.jpg" alt="" width="550" height="367" /></p>
<p>Juliette Lewis nasceu na Califórnia a 21 de Junho de 1973. Filha do actor Geoffrey Lewis<strong> </strong>e<strong> </strong>da designer gráfica Glenis Batley. Com sete anos, Juliette já queria ser actriz, mas foi aos 12 anos que começou a sua carreira profissional<strong> </strong>na mini-série <em>Homefires</em>, participando, a partir de então, em diversos filmes e séries televisivas. O seu pai participou em alguns filmes western de Clint Eastwood. «Visitava o meu pai aquando da rodagem dos filmes e<strong> </strong>desenvolvi uma grande atracção pela forma de Eastwood actuar. Sempre tive uma imaginação vibrante e quando o meu pai viu que eu era interessante a actuar decidiu marcar uma entrevista comigo e com uma pessoa da sua agência», disse numa entrevista. Com 14 anos, Lewis tornou-se legalmente emancipada, de forma a ganhar isenção das leis infantis laborais, que não autorizam que as crianças actrizes trabalhem mais de cinco horas por dia em dias de escola. Lewis deixou a escola aos 15 anos e passou o exame de equivalência com a ajuda de um tutor.</p>
<p>A sua imagem de marca nos filmes é, salvo raras excepções, a da rapariga louca, rebelde e psicótica. Ainda adolescente, a actriz chamou a atenção do realizador Martin Scorcese, que a convidou para participar no seu emblemático filme <em>Cabo do Medo</em>, em que interpreta o papel de uma adolescente problemática, ao lado de Robert De Niro. Este filme tem, a meu ver, uma das cenas mais “eróticas” e sensuais do cinema.<strong> </strong>«Eu tinha dois sonhos acerca de De Niro quando estava a trabalhar com ele. Penso que estavam relacionados com a antecipação daquela <em>cena</em>. Isto porque na minha cabeça, era a<em> grande cena</em>. Num sonho nós estávamos debaixo de água numa piscina e subiamos em busca de ar. Em seguida ele volta para baixo de água e eu também, por conseguinte, e deslizávamos um por cima do outro deliberadamente, como duas crianças apaixonadas numa piscina. Como um<em> flirt</em>. Mas acordei desse sonho e tinha uma atracção por ele», revelou Lewis no livro<em> Non- Fiction</em>. No mesmo livro, e acerca do mesmo filme, ela fala da <em>grande cena</em> «No pequeno tango dançado entre as nossas personagens eu só sabia que era suposto ele dirigir-se a mim e dizer “Danielle, posso pôr o meu braço à tua volta?”. No roteiro era suposto ele beijar-me, mas tudo o que Scorcese disse foi “O Bob vai fazer algo. Deixa-te levar pela cena”. Ele começa então a pôr o dedo na minha boca e ela tira-o. Ele insiste e ela permite. E apesar de as pessoas falarem da sexualidade e do florescer da sexualidade naquela idade, eu nunca olhei para tal dessa forma. Antes de ele fazer a cena do dedo, ele estava a “ouvi-la”, a validá-la numa atitude que os seus pais não tinham, e só depois é que ele faz esta coisa sexual. Mas o que tu vês nos meus olhos é que, após ela chupar o dedo, e este ser puxado para fora, ela está a olhar para ele como se dissesse “isto foi bom?”, “Gostaste?”. É uma cena agradável», conta Juliette. A sua interpretação valeu-lhe no mesmo ano um prémio da Academia e nomeações para Globo de Ouro na categoria de melhor actriz.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-206" src="http://bluevelvet.janelaurbana.com/files/2011/11/naturalborn.jpg" alt="" width="550" height="366" /></p>
<p>Em 1993, entra em <em>Kalifornia</em>, ao lado de Brad Pitt e em 1994 faz <em>Natural Born Killers</em>, contracenando com Woody Harrelson. Dois filmes absolutamente psicóticos. Quem não ouviu falar do casal fugitivo Mickey e Mallory?! O que eles de facto fizeram foi matar pessoas. Muitas pessoas. Um ano depois faz <em>Strange Days</em>, com Ralph Fiennes e Angela Bassett. Um filme que reflecte a filosofia de vida da Geração X. No filme, a &#8220;realidade virtual&#8221; atinge um ponto em que experiências e sensações reais podem ser vendidas em qualquer beco em forma de um pequeno CD, transformando-se na nova droga &#8211; os Squids. A emoção em forma de produto, uma droga, uma compensação para a vida moderna devido à crescente solidão e anonimato.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://bluevelvet.janelaurbana.com/2011/11/07/juliette-lewis-born-to-be-wild/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A Arte da Guerra &#8211; Propaganda da II Guerra Mundial</title>
		<link>http://bluevelvet.janelaurbana.com/2011/11/02/a-arte-da-guerra-propaganda-da-ii-guerra-mundial/</link>
		<comments>http://bluevelvet.janelaurbana.com/2011/11/02/a-arte-da-guerra-propaganda-da-ii-guerra-mundial/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 02 Nov 2011 18:16:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elsa Garcia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Melting Pop]]></category>
		<category><![CDATA[A Arte da Guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Museu Berardo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://bluevelvet.janelaurbana.com/?p=185</guid>
		<description><![CDATA[A propaganda da II Guerra Mundial espalhada pelas paredes do Museu Berardo. Um dos principais meios utilizados para motivar os cidadãos foi o cartaz impresso. Não só pela facilidade com que era produzido como pela simplicidade com que era difundido. São esses cartazes que nos causam impacto e um misto de sensações, impregnados de um [...]<p class="extra"><a href="http://jarederickson.com/freebies/" title="Jared Erickson" >A minimal wordpress theme by Jared Erickson</a></p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A propaganda da II Guerra Mundial espalhada pelas paredes do Museu Berardo.</p>
<p>Um dos principais meios utilizados para motivar os cidadãos foi o cartaz impresso. Não só pela facilidade com que era produzido como pela simplicidade com que era difundido. São esses cartazes que nos causam impacto e um misto de sensações, impregnados de um forte carácter emocional que podem ser vistos até 08 de Fevereiro&#8230;</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-196" src="http://bluevelvet.janelaurbana.com/files/2011/11/b101.jpg" alt="" width="550" height="309" /></p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-186" src="http://bluevelvet.janelaurbana.com/files/2011/11/b1.jpg" alt="" width="550" height="724" /></p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-187" src="http://bluevelvet.janelaurbana.com/files/2011/11/b2.jpg" alt="" width="550" height="414" /></p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-188" src="http://bluevelvet.janelaurbana.com/files/2011/11/b3.jpg" alt="" width="550" height="388" /></p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-189" src="http://bluevelvet.janelaurbana.com/files/2011/11/b4.jpg" alt="" width="550" height="675" /></p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-190" src="http://bluevelvet.janelaurbana.com/files/2011/11/b5.jpg" alt="" width="550" height="379" /></p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-191" src="http://bluevelvet.janelaurbana.com/files/2011/11/b6.jpg" alt="" width="550" height="426" /></p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-192" src="http://bluevelvet.janelaurbana.com/files/2011/11/b7.jpg" alt="" width="550" height="309" /></p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-193" src="http://bluevelvet.janelaurbana.com/files/2011/11/b8.jpg" alt="" width="550" height="309" /></p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-194" src="http://bluevelvet.janelaurbana.com/files/2011/11/b9.jpg" alt="" width="550" height="309" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://bluevelvet.janelaurbana.com/2011/11/02/a-arte-da-guerra-propaganda-da-ii-guerra-mundial/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Fernando Lemos &#8211; Pintar com a Fotografia</title>
		<link>http://bluevelvet.janelaurbana.com/2011/10/31/fernando-lemos-pintar-com-a-fotografia/</link>
		<comments>http://bluevelvet.janelaurbana.com/2011/10/31/fernando-lemos-pintar-com-a-fotografia/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 31 Oct 2011 16:32:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elsa Garcia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Fernando Lemos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://bluevelvet.janelaurbana.com/?p=179</guid>
		<description><![CDATA[Aos 20 anos comprou uma máquina fotográfica e começou a “brincar” com ela, explorando as suas potencialidades. Foi assim que começou a pintar com as imagens, numa exploração sensual, lenta e atenta. As suas fotografias são dotadas de magia, incerteza de formas e provocam-nos a alucinação, uma existência real ou imaginada? Simpático, conversador, com muitíssimas [...]<p class="extra"><a href="http://jarederickson.com/freebies/" title="Jared Erickson" >A minimal wordpress theme by Jared Erickson</a></p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Aos 20 anos comprou uma máquina fotográfica e começou a “brincar” com ela, explorando as suas potencialidades. Foi assim que começou a pintar com as imagens, numa exploração sensual, lenta e atenta. As suas fotografias são dotadas de magia, incerteza de formas e provocam-nos a alucinação, uma existência real ou imaginada? Simpático, conversador, com muitíssimas histórias para contar, dotado de um sotaque brasileiro de um português que há muitos anos vive nas terras de Vera Cruz. Foi assim o primeiro contacto com Fernando Lemos, mestre da fotografia surrealista em Portugal. Mas nem só de fotografia vive a sua arte. A pintura, o desenho e a poesia ocupam um grande lugar na sua vida.</p>
<p>«Sou uma caixa de vários lados / com vários cantos / com duas sombras / uma escura que nasce da clara / outra clara que nasce da escura». Fernando Lemos</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-180" src="http://bluevelvet.janelaurbana.com/files/2011/10/fl1.jpg" alt="" width="550" height="550" /></p>
<p>Fernando Lemos/ Auto- Retrato (1949-52) Colecção Museu Berardo</p>
<p><strong>Como é que integrou o movimento surrealista português?</strong></p>
<p>Foi pouco depois de ter visto a primeira exposição surrealista. Eu já trabalhava na área das artes, como artista gráfico, estava a fazer o curso da António Arroio e da Sociedade Nacional de Belas-Artes, e ao ver a exposição fiquei deslumbrado. Era uma bandeira de liberdade total. Já conhecia os artistas que expuseram, entre eles António Maria e Mário Henrique Leiria. Mas a certa altura, os surrealistas já estavam divididos em dois grupos. O grupo do José Augusto França, António Pedro, Marcelino Vespeira e Fernando de Azevedo era o grupo com que mais me identifiquei e onde acabei por ficar. Todos nós tínhamos divergências, aliás nós adorávamos divergências. Automaticamente assumi um compromisso como surrealista com a primeira exposição na Casa Jalco.</p>
<p><strong>Como traduz o magnetismo dos encontros do seu grupo de artistas surrealistas.</strong></p>
<p>Encontrávamo-nos em cafés. Eram centros de conversa e discussão e ao mesmo tempo lugares clandestinos. Procurávamos cafés não frequentados por agentes da PIDE. Quando íamos à Brasileira, local muito frequentado por eles, tínhamos a preocupação de nos divertirmos e de dizer parvoíces que eles não entendiam e não achavam graça, mas registavam tudo. O nosso prontuário policial tinha coisas hilariantes. A nossa actividade era de anti-burgueses e tudo o que fosse burguês ignorávamos profundamente. Combatíamos tudo e fazíamos uma vida nocturna de andar nas ruas. Divertiamo-nos imenso ao passar nas lojas na Rua do Carmo e nos Armazéns do Chiado. Adorávamos conversar com os manequins, e eles ficavam ali imóveis a ouvir (risos). Identificávamo-nos com eles, conversávamos e fazíamos poemas, e muitas ideias surgiram destas conversas.</p>
<p><strong>Como foram os preparativos para a sua primeira exposição na Casa Jalco?</strong></p>
<p>Não foi fácil. Conseguimos convencer o dono a fazer o que queríamos lá dentro, o que de certa forma era complicado pois tratava-se de uma casa de luxo. Ele emprestou-nos uma série de materiais, entre eles cadeiras sem forro, e nós montámos todo o “cenário”. Pedi-lhe manequins antigos, e ele disse-me que no último andar tinha uma série deles. Entro na oficina e deparo-me com um dos manequins que eu já conhecia. Estava desmembrado, com a cabeça e uma coxa em cima da mesa, braços pendurados e entretanto eu disse: “mas eu conheço este manequim, sou amigo dele”. A pessoa que trabalhava na oficina ficou estupefacta a olhar para mim. Tirei a fotografia ao manquim sem mexer em absolutamente nada e passei a usá-la sempre nas capas dos catálogos e em convites.</p>
<p><strong>Uma vez que era uma época complicada, conseguiam ter informação do que se fazia a nível artístico no exterior?</strong></p>
<p>Não era nada fácil, só a partir de uma certa altura é que começámos a ter referências porque não tínhamos informações sobre o que acontecia. Aliás eu conheci Man Ray em Paris, na casa da Vieira da Silva.</p>
<p><strong>Diziam que o Fernando Lemos era o Man Ray português. Concorda com a comparação?</strong></p>
<p>Sim, por analogia de fenómenos de época, muitos surrealistas se identificaram entre si. São situações que já não acontecem. Man Ray era de facto o artista com o trabalho mais semelhante ao meu. Nenhum dos surrealistas até então tinha feito fotografia. Não ao mesmo nível que eu. Não fizeram nenhuma pesquisa técnica, como eu fiz, no sentido poético. A forma como eu fotografava era como se estivesse a pintar. Comecei a dedicar-me cada vez mais à fotografia e à pintura. O desenho e a poesia foram ficando para trás.</p>
<p><strong>É verdade que conseguiu alguns efeitos de sobreposição devido a uma máquina que tinha comprado, a Flexaret?</strong></p>
<p>Sim, era uma máquina com uma boa óptica, mas sem automático, ou seja era preciso dar corda ao rolo para este avançar. Eu virava o rolo e se quisesse continuava a fotografia na mesma chapa. Usava o mesmo negativo, ocultava uma parte e registava uma imagem, já sabendo que na outra faria algo que se iria somar como se eu estivesse a pintar. A química toda funcionava como se fosse pintura. É um tipo de trabalho que questionou muita gente. Foi muito discutido nas várias exposições que fiz.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-181" src="http://bluevelvet.janelaurbana.com/files/2011/10/fl2.jpg" alt="" width="550" height="553" /></p>
<p>Fernando Lemos – Intimidade do Chiado (1949-52) Colecção Museu Berardo</p>
<p><strong>Que memórias tem da época do Salazarismo. Que dificuldades sentiam a criar e que problemas tiveram aquando da exposição na Casa Jalco.</strong></p>
<p>Era particularmente difícil porque a nossa própria postura pública era sempre contra tudo. Não queríamos conquistar o mundo e não queríamos que o mundo nos conquistasse. Tínhamos sempre propostas bastante provocadoras, o que irritou toda a gente, desde a Igreja, à Sacristia, escolas de Belas-Artes e por aí fora. Aquando da exposição, os alunos da escola de Belas-Artes foram lá, cuspiram nas obras e provocavam-nos na rua. Os comerciantes do Chiado fizeram um manifesto e apresentaram-no à polícia para solicitar que fechassem a exposição e nos colocassem na cadeia. Dois indíviduos da PIDE seguiam-me todos os dias no eléctrico. Era de um rídiculo atroz. Eram uns saloios que não tinham nada para fazer, mas criavam mal-estar. Quando acabou a exposição usámos um camião onde colocámos todo o meu material, do Azevedo e do Vespeira e pintámos uma faixa que colocámos em volta do mesmo que dizia “Fiquem Tranquilos Burgueses. Nós Terminámos a Exposição” e demos a volta a Campo de Ourique, Alto de São João e Penha de França.</p>
<p><strong>Foi considerada a exposição mais escandalosa que se tinha feito até então.</strong></p>
<p>Sim, estava tudo muito quieto e pacato. Tudo bem muito obrigado, então sim, foi considerada uma revolução, quando na Europa já se faziam muitas exposições do género. Toda a crítica que se fez parecia conversa de bêbedos, já não tinham o que dizer e inventavam coisas para nos condenar. Só agora a área do Surrealismo da Colecção Berardo é que nos colocou numa plataforma internacional, juntamente com todos os grandes expoentes do movimento. Finalmente, os surrealistas portugueses saíram dessa coisa de serem provincianos.</p>
<p><strong>Decidiu então ir-se embora…</strong></p>
<p>Sim, já estava completamente farto e não conseguia calar-me e deixar de responder a provocações. Não queria entrar nos extremos e começar a lançar bombas na rua..</p>
<p><strong>Como foi a reacção às suas fotografias quando chegou ao Brasil?</strong></p>
<p>Andei para trás e para a frente com as minhas fotografias numa caixa e uma vez até apanharam chuva. Mas valeu a pena, fiz uma exposição no Museu de Arte Moderna de São Paulo, numa altura em que não se fazia exposições de fotografia em museus. Fui para o Brasil num período muito significativo. Tinha começado o projecto de Brasília, a grande expansão da indústria automobilistica e o aparecimento do grupo dos concretistas. Foi um momento de grande evolução e cresceu tudo a partir daí.</p>
<p><strong>Como foram os primeiros anos? Conturbados?</strong></p>
<p>Morei no Rio e posteriormente fui trabalhar no quarto centenário de São Paulo, em 1954. Fiquei ligado aos exilados políticos e por isso prendi-me mais lá. Fiquei perigosamente político, mais do que em Portugal. O meu ficheiro da polícia em Portugal era uma piada comparado com o meu ficheiro do Dops (polícia política brasileira), porque entrei por fatalidade noutra ditadura. Já estava ligado à política, trabalhei com políticos como Fernando Henrique Cardoso, que foi Presidente da República, participei na campanha dele, envolvi-me e fiquei proibido de vir a Portugal até 1974. Depois disso, comecei finalmente a ter algumas regalias, como exposições e prémios. Comecei a vir todos os anos e estou a resgatar uma parte das coisas que conquistei com as fotografias dos anos 50, o que na minha idade é uma glória. Ainda hoje no Brasil conquisto prémios de fotografia e tenho à minha volta diversos jovens fotógrafos. Mas, eu não sou fotógrafo, fui atrás da fotografia como poderia ter ido atrás da cerâmica.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-182" src="http://bluevelvet.janelaurbana.com/files/2011/10/fl31.jpg" alt="" width="550" height="542" /></p>
<p>Fernando Lemos/ Alexandre O’Neill/ Lavagem Cerebral (1949-52) Colecção Museu Berardo</p>
<p><strong>Disse numa entrevista que os seus quadros são uma experiência de vida&#8230;</strong></p>
<p>É demais fazer alguma afirmação do tipo “graças a Deus sou pobre”, mas a minha origem de classe proletária obrigou-me a lutar. O meu pai era marceneiro, a minha mãe fazia renda e eu, com uma poliomielite de infância, tive que trabalhar e esforçar-me. Tive que me afirmar para não ficar com mentalidade de doente porque o pior não é a doença e sim a mentalidade de doente. Sempre tive uma vida de ir à procura e no Brasil tive uma série de profissões. Enfim, um português à procura de coisa melhor.</p>
<p><strong>Desde sempre se interessou por poesia…</strong></p>
<p>Tinha 14 anos e li no jornal que ia haver um recital de poesia, mas não sabia o que isso era. Parecia-me algo de revolução, de briga. Vão atacar a poesia? O que é que será isto? Cheguei à porta e estava tudo muito bem vestido e uma senhora mandou-me entrar. Entrei e era a Manuela Couto a recitar Fernando Pessoa. Fiquei extasiado, e foi com essa idade que comecei a ouvir Fernando Pessoa. Ainda hoje se lerem <em>A Tabacaria</em> à minha frente eu choro.</p>
<p><strong>Notei ao longo da entrevista que tem alguma mágoa de Portugal.</strong></p>
<p>Portugal roubou-me a minha juventude e a de muita gente. E eu não perdôo. Eu gosto dos portugueses, não gosto é de Portugal. Portugal irrita-me, chego aqui e lembro-me de muita coisa. Quando ando de carro e passo pelas casas dos amigos que eu frequentava e que já morreram custa-me imenso. Portugal é um país que não andou para a frente. Não foi só Salazar. O português estava à espera de alguém que chegasse e dissesse “Nós somos humildes” e toda a gente acreditou. Os alemães também tiveram Hitler. O povo pode sempre mudar as coisas e em Portugal ninguém se mexeu, deixaram-se dominar.</p>
<p><strong>As suas pinturas reflectem essa angústia?</strong></p>
<p>Sim, a minha vida foi a pintura e as artes como uma forma de afirmação e de um encontro que poderia não ter resultado.</p>
<p><strong>Com toda a sua experiência como é que olha para a arte que se faz hoje em dia?</strong></p>
<p>Os artistas… Eu olho para um artista e para mim ele é sagrado, não interessa o que ele faz, se ele é bom, se é mau. A arte tornou-se algo mais do que se esperava, é muito abrangente e todas as experiências podem resultar em algo estético. A arte de hoje, as próprias instalações, que são meio condenadas, são importantíssimas. São a continuação do desenho industrial. A arte de hoje tem toda uma vibração, uma nova vida, uma nova esperança. O que é que deu ao mundo uma onda de optimismo e esperança depois da Segunda Grande Guerra? Os artistas, os cubistas, os surrealistas, os dadá. Fora da criatividade o homem não tem para onde ir.</p>
<p><strong>Actualmente desenha e escreve. Pode dizer-se que o desenho interage com a sua poesia?</strong></p>
<p>Sim. Para mim, a pintura, o texto e a fotografia, são um todo. Estou a fotografar e estou a ser poeta. Quando escrevo estou a pintar…</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://bluevelvet.janelaurbana.com/2011/10/31/fernando-lemos-pintar-com-a-fotografia/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Gerard Castello Lopes no Bes Arte &amp; Finança</title>
		<link>http://bluevelvet.janelaurbana.com/2011/10/27/gerard-castello-lopes-no-bes-arte-financa/</link>
		<comments>http://bluevelvet.janelaurbana.com/2011/10/27/gerard-castello-lopes-no-bes-arte-financa/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 27 Oct 2011 17:09:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elsa Garcia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Melting Pop]]></category>
		<category><![CDATA[Gerard Castello Lopes]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://bluevelvet.janelaurbana.com/?p=167</guid>
		<description><![CDATA[&#160;<p class="extra"><a href="http://jarederickson.com/freebies/" title="Jared Erickson" >A minimal wordpress theme by Jared Erickson</a></p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-175" src="http://bluevelvet.janelaurbana.com/files/2011/10/Gerard6.jpg" alt="" width="550" height="978" /></p>
<p><a href="http://bluevelvet.janelaurbana.com/files/2011/10/Gerard4.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-170" src="http://bluevelvet.janelaurbana.com/files/2011/10/Gerard3.jpg" alt="" width="550" height="309" /><img class="alignnone size-full wp-image-169" src="http://bluevelvet.janelaurbana.com/files/2011/10/Gerard4.jpg" alt="" width="550" height="978" /><img class="alignnone size-full wp-image-171" src="http://bluevelvet.janelaurbana.com/files/2011/10/Gerard2.jpg" alt="" width="550" height="309" /><img class="alignnone size-full wp-image-172" src="http://bluevelvet.janelaurbana.com/files/2011/10/Gerard1.jpg" alt="" width="550" height="309" /><img class="alignnone size-full wp-image-173" src="http://bluevelvet.janelaurbana.com/files/2011/10/Gerard5.jpg" alt="" width="550" height="978" /><img class="alignnone size-full wp-image-174" src="http://bluevelvet.janelaurbana.com/files/2011/10/Gerard7.jpg" alt="" width="550" height="309" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://bluevelvet.janelaurbana.com/2011/10/27/gerard-castello-lopes-no-bes-arte-financa/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Lançamento do livro Julião Sarmento &#8211; The Real Thing</title>
		<link>http://bluevelvet.janelaurbana.com/2011/10/27/lancamento-do-livro-juliao-sarmento-the-real-thing/</link>
		<comments>http://bluevelvet.janelaurbana.com/2011/10/27/lancamento-do-livro-juliao-sarmento-the-real-thing/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 27 Oct 2011 10:45:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elsa Garcia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Melting Pop]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pombocorreio.janelaurbana.com/?p=162</guid>
		<description><![CDATA[&#160; &#160;<p class="extra"><a href="http://jarederickson.com/freebies/" title="Jared Erickson" >A minimal wordpress theme by Jared Erickson</a></p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-165" src="http://pombocorreio.janelaurbana.com/files/2011/10/Julião1.jpg" alt="" width="550" height="309" /></p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-166" src="http://pombocorreio.janelaurbana.com/files/2011/10/Julião2.jpg" alt="" width="550" height="978" /></p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-167" src="http://pombocorreio.janelaurbana.com/files/2011/10/Julião3.jpg" alt="" width="550" height="309" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://bluevelvet.janelaurbana.com/2011/10/27/lancamento-do-livro-juliao-sarmento-the-real-thing/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>

